Friday, June 16, 2006

Sede de Significação

Tento chegar
ao centro de minha significação,
e em vão ...
Vou ruminando
o sentido do texto.
Deixo que me abraçes e
por momentos sou quem me invento.
Sou Maria e Mariana e sou...
Simão me espera do lado de lá,
Por isso parto
e desperta
me embrenho
na tua significaçao...


16 de junho de 2006

O TOJO




Invento-me
e escamo-me
em invertebrados trejeitos,
A terra de minha nascença é-me agreste,
Puseste-me no mundo,oh terra!
Terra que te lavaram em socalcos
e descalços teus meninos vês partir!
Oh terra! Que nada me és!
Piso-te com pés enfeitiçados
e curvados meus sentidos
te renegam!
Fizeste-me trabalhar como escrava
Dobrada, curavada
Nem lio ou condão me deterão!
Atravesso o estio de teus passos,
Arremesso os sentidos
e
quando sinto que nada me és
A saudade maldita
me derrota a teus pés!

16 de junho de 2006

Tuesday, June 13, 2006

Fractura ou o Deserto dos Heróis

O pensamento desagua
em mar morto,
Reviro e
revolto o ser
porque me entristeçe
o entardeçer...
Estrangulo
em ópio
o ócio de
de me sentir oca...
Atravesso o deserto
e ácido o desejo
é
despejado
como fardo
algemado
ao cárcer .
Negra a pele
de quem nasce diferente
e indiferente
do outro lado
ao trono sobe o conquistador!!
É oiro
É prata e
baratos
são
os despojos
com que se arrojam
os asnos
do passado...
Ao mar se fizeram os homens
e parados no Pacífico
ficaram petrificados
com as naus
à banda...
Abandonados ao destino
ficaram
os outros
do lado de lá!
E agora
dão-lhe esmola
porque o pobre pede...

13 de Junho de 2006

Tuesday, May 30, 2006

O CAMPO DAS PAPOILAS SECOU

Lá fora
o vento bate na seara
mansamente
eu
dormida
e
ausente
me quedo olhando
o infinito
num travo de absinto
O campo púrpura de Abril
findou
como findam os meus passos
quando
penso no regresso!
Olho-te mais uma vez....
e lembro
que
ainda que cantes
tuas palavras me secam
sem nada que dizer!
O teu silêncio é pedra
que enfada meu pensar,
E devagar
olho...
e o campo de papoilas já secou!

30de Maio de 2006

Wednesday, May 17, 2006

A AUSÊNCIA OU A METÁFORA DO VAZIO

Estendo o olhar
e
na amplitude
vejo fragmentos de mim...
Tento medir
o sentido das palavras
e me quedo medindo o vazio
em múltiplas extensões....
Desejo...
e
num breve lamento
me entorpeço sem nada que dizer...
Reviro as palavras
que enjeitadas
prolongam o silêncio...

Sou nada...
e se tudo o que tenho para ser
se alimenta do metal frio
Subtraio-me na AUSÊNCIA
e na metáfora do vazio...

17 de Maio de 2006

Sunday, May 07, 2006

IN ÚTERO

Sejamos putas!As mais puras e as mais belas;
e quando anoitecer pensemos que o corpo é vazio,
a alma pedra que o verbo destila
e o desejo teatro frio!
palavras da Musa na estrada da vida
7 DE mAIO DE 2006

Thursday, May 04, 2006

A Carêcia... Ou a Morte da Musa

A Crência
De quem espera
o nada
vir
Assim... já nao és
Já não sou
e a fome que me mata
farta a dor;
Nem a velhice dos anos
nos junta
ou alimenta de enganos...
Já partiste há quanto tempo!
E eu no invisível
me passeio...
Dormito nos teus braços
sem nada te dizer,
Abomino o pretérito!
O presente não me afaga e...
e desejo... desejo...
Que no sonho o degredo seja uno...
- M !Quem és tu?
- Eu sou a marca de todos os desertos,
sou os pés que pisam trilhos incertos,
sou o teu alimento,
sou o alento do vazio que te cerca,
sou não sendo
mas sabendo
que...
um dia voltarás
para
dizer
que a Musa morreu...

Barcelona 4 de Maio de 2006

Thursday, April 13, 2006

TEMPO MORNO

O tempo
passa
depressa...
Visto à pressa
o casaco de sair
e penso...
Regresso ao passado
e as cartas do amadao
em cima da mesa
esperam...
Um dia
-nelas diz-
voltarei a ti
e me quedo eternamente...
Sossego a alma num cigarro apagado e
Soletro mais uma vez o teu nome
na página em branco do caderno.
Tua letra hieróglifos
e eu complexo de amina...
Ambos na Ilha se inventam...
Eu M e tu o outro
por quem espero...

Barcelona 13/04/06

Friday, March 10, 2006

A Promessa

Palavras de M:
"enquanto espero olho o mar, ele te levou ele te fará regressar:
felizes aqueles que morrem na esperança!"
Mil oitocentos e...
O tempo não passa
ou passa depressa.
Esqueçes a promessa
de
viveres
e sucumbes
nos meus braços...
E S disse:
- Não morro descanso;
porque me enxugas as lágrimas?
Olho o horizonte
nada me ficou
Sonho com a ilha
sonho-te
crio-te até existires,
Sou nome
todos os nomes,
e tu és
o meu teatro
o meu retrato...
Subsisto à força de me inventar!
De te INVENTAR...
10 de Março de 2006

Thursday, March 09, 2006

A Estória de M e S

Palavras da Musa:"a minha existência na tua existência
é uma metáfora inventada por mim"


Estou cansada,
Desde de antes de ontem
estou cansada...
Nada me dizes,
nada te digo
e a nossa matafísica
fica mais física
sem contemplação.
Passam carros lá fora e
Desço a escadaria
como quem desçe pelo mundo abaixo,
sigo-te com o pensamento
O vento entra pela escarpa...
passamos aqui,
nao sei que dia
não sei que hora
Não sei...
Não me sei...
Nada me dizes
Nada te digo
Mas sinto-te sentada
na entrada,
Sou
aquele
que lê
as tuas cartas.
E eu
aquela que te escreve.
Eu M
Maria
Mariana
-Quem?
- M
Desço sonâmbula
como quem sonha
o teu regresso do degelo.
-Ainda vejo aquela
na janela
acenando
E eu morto
no teu orto
me encontrei,
Doce
Doce
M
por quem morres tu?
Não
me esperes
eu voltarei
quando voltar...


09 de Março de 2006

Wednesday, March 01, 2006

Triologia do Desassossego

palavras do feiticeiro yarubawa

Se o desassossego te penetra os ossos
desce a montanha devagar
para não perturbar
os deuses

Ri ri
Que o amanhã é incerto
e o deserto é plaino de muitos cadáveres


Se és humano sente
que do teu sentir
o porvir
é anunciado!

Barcelona 01 de Março de 2006


Tuesday, February 28, 2006

As Palavras(Prólogo Inacabado)

(excerto de uma carta de M...)

As Palavras
que
respiro e viro do avesso.
O solfejo breve
da
tua voz,
ouço-te
my angel
Gabriel!
Agora penso-te
enquanto
a voz diz!
Holding back the years,
Vês!
Eu sou eu
e tu
és
quase
quase
meu!
Mas ainda não!
Se o tempo falasse
e a voz abrandasse
eu dirte-ia
que
nunca é tarde!
O mar não te levaria,
não te leva
e tu morres
nos meus braços.
Os abraços
que te dou
no amanhecer da ilha
são eternos.
E agora
para ti
"Goodbye Stranger"


Barcelona 28 de fevereiro de 2006

Friday, February 17, 2006

O Jogo

-Antes de ontem acordei subitamente não te amando
- Joga!
- Dama de copas?
- Talvez!Na possibilidade do real o jogo continua...
- pago para ver!
- tens medo de perder?
- Não, porque não amo
- Finges, ocultas,teatralizas... no entanto, é real porque sentes...
- Rei de Espadas!
- Cortas?A lâmina ferrugenta só trespassa o vazio.Eu jogo Valete de paus!
- Fraca vaza!
- Mas o trunfo é forte!
- bluf, sempre bluf...
- Perdeste!No bluf também se ganha!
- Tenho de partir não é?
- Sim! Na saída deixa as chaves em cima da mesa.
- Há a desforra?
- Perderias de novo! o trunfo é fraco!
- Nem mesmo amando!
- O amor ficou trancado na infância...
- Então adeus! não olhes as minhas lágrimas!
- são apenas cristais de chuva
- Adeus rei de ouros!
- Adeus rainha de Espadas

Lisboa 02-02-05

Cavaleiro Andante

Que silêncio...
Se as palavras calam
a ausência,
deve existir algures
o símbolo dos Proscritos
que nos acorda
para uma nova significação
....................................
Ainda assim
A voz que canta
é já uma outra
cuja identidade
indefinível
se prepetua para além
do silêncio
que me arrasa os ossos....

Escrito em Lisboa em 11/04/05

Thursday, February 09, 2006

CARTAS DE M: O Tocador de Lira

CARTAS DE M: O Tocador de Lira

Tuesday, February 07, 2006

O Tocador de Lira

Ou o outro lado do espelho!

Contamino a escrita
Examino
Congemino
Nada a acrescentar!
Trocam-se os passos,
adversos os sentidos estalam
e a música
soa...
A lira do poeta
definha...
e do lado de lá
nem som...
Breve... o momento
em que
juntos
o sentido se fazia...
Regressa o som
Distante
e
diante de mim
as imagens de...
cruce e
fixo o olhar
no quadro branco.
Como regressar a Simão?
No degredo
Tão cedo
a morte te apartou!
agora
Mariana
Não escreve para ti.
M disse:
Eu sou aquela
que morreu por ti!
Não!
M vive do lado de lá...
a lira volta
o poeta dança,
Andança
e andante lento
Lento
Lento
Vou regressar agora
quando já ninguém espera,
Da janela vejo
o oceano
e do outro lado
Alado Simão
chora
M
ou
Teresa?
As duas faces da mesma moeda...

Barcelona 07/02/06

Cartas de M

É tarde!
A hora passa e a "estória"definha...
Escrevo em linha recta...
Moisés!
Quem és?
Sacudo o pó dos sapatos
olho para trás e:
Simão vive morrendo de amores!
- Já nao sou eu, a que perdi mergulha nas àguas...
Conto-te uma história
O velho,
muito velho,
feiticeiro
Anteviu a morte!
Soam os tambores de outrora,
agora sacio a sede
e ver-te
já não vendo
me dá dor!
Aprendes a escrever e trocas as cartas
As de Teresa!
Agora leio
e engano-me
no desengano de saber quem és,
ainda assim és tu que eu quero
e agora é tarde!
És... não sei
quem és...
Fiz-te minha
sem saber...
Eu sou
Simão que embora vivo morro nos teus passos
Mariana!
teresa?
Nao!Não sei!
Todos mortos!
todos mortos!
Assim parto
e deixo as cartas
na entrada.....

M

(continua)

Barcelona 06-02-06

PORTA OBLÍQUA

Entro
Saio
Esmoreço
eEsqueço,
É hora
Agora de dizer...
O já dito subscrito em diagonal...
Nada me resta...
A aresta que me arranha
Os dedos indefesos
Foi cortada e deixada na entrada,
A mente distrai-se
Penso
Em quem tu és,
Duvido...
Os passos já me cansam
Sorrio e quem sorri é outra,
A porta abre-se e eu nao estou
Para ti,
Obliquamente trespasso a carne
e a madeira apodrecida range nos gonzos
E tu já és tarde
Quando me dizes
Olá...
Barcelona 31-01-05

Trindade

I
"Não te mexas! Morre e ressuscita!"
Eu estarei lá, sempre lá estou
onde tu não estás!
Escrevo
Soletro
Construo
Destruo...
E tu aí quieto
tão longe e tão perto!
Nada a fazer!
O vento que te move
Sopra do lado de lá,
E eu aqui desperta,
Marioneta em significações mil
Invento.
Esqueceste!
Já não lembras
Sobro porque não estou
E se estivesse era miragem!
Agora eu parto, em pensamento...
Preciso outro rio em que desaguar
Depois te direi
Adeus...


II
Não escrevo...
Definho
Sempre no mesmo sentido!
Se te quero não te quero
Não te querendo!
Assim...
Regresso ao mesmo caudal
lamaçento.
Omnipotente
Presente
Sem imagem,
Começas a ser nuble
Pinsando sempre no mesmo lugar!
Andar!
O caminho
É largo
E o espaço extenso...


III
Não te sinto já!
Nuvem és
Fantasma...
Etéreo
Mas que desces
Quase oculto
Em vulto te transformas.
Já não há palavras
Nem verbo
que te alente...
Assim,
Voltarei
Quando
nao houver
mais vida que viver...

Barcelona 30-01-06

ET OMNIA

É tudo...

Este é
O fim
Do diálogo entrecortado por...
As palavras tuas que não chegam
Ou
Eu que não entendo!
Tento chegar
Ao espaço que te cabe
E páro na entrada
Da porta fechada,
Fechas a porta
E não sorris
Sinto-o como
Fim
De nós dois
Que não existem
Nem no espaço nem no tempo,
O vento varre o pensamento
Sujo de poeira saudosista.
Insisto que somos amantes
E desisto no trajecto
Inverto a marcha,
Não quero nada de ti
Mas tudo desejo.
Despejo a fantasia,
Vazia
A alma
Quase ao limite,
Não me penses, vive-me!
Sente-me!
Abandona-me na escadarei da igreja,
Assim seja...
Assim seja...
Volto para ti mais tarde,
Agora
fecho o pensamento
E sem alento
Me levanto,
Sinto tanto...
Tanto...
Não sei quem tu és!
Invento-te
Lamento-te
Mendigo-te
Maldigo-te
Mas no fim
o som da tua voz
Regressa
E eu presa
Não consigo
Levantar a mão
No cais da partida...
Quebra-se o encanto
Sinto-o,
Tu não me és nada
Mas tudo... tudo... tudo...
Tudo o faço é sentir
Que és
O outro lado de mim...


Barcelona , 28/01/06

SAUDADE

O espaço sem tempo
Cai na memória diáfana
E é a lembrança de Mariana e Simão que surge,
Invento Moisés
E a meus pés o pó do caminho
Que para trás deixei
Foram rostos, gente, passos
O amado
Na estação vazia,
Veio comigo o silêncio...
Nas entrelinhas deixo-te uma mensagem
Lê-a
Vem buscar-me se quiseres
Que eu espero
No desespero de perder algo
Pensamento confuso...
Digo-te
Até logo,
Que regressarei mais tarde
Para a despedida,
E os diálogos de rua...
Subimos
Pisamos a calçada
Inventamo-nos em estórias
Juntos somos mais
maiores
Personagens
Sujeitos
Objectos
Protagonistas nessa vida,
O vazio, o nosso vazio
Mais amplo
Mais vasto
Espera-me o Além Mar profundo
Para ti escrevo
E contarei a estória
Mais tarde,
Agora quero dormir
que a saudade chega
E o fado
Cantado à guitarra portuguesa,
Acorda-me logo cedo
Latinia e ladainha
E a minha pátria é:
O que deixei
E o por descobrir...

Barcelona 22 de Janeiro de 2006