I
"Não te mexas! Morre e ressuscita!"
Eu estarei lá, sempre lá estou
onde tu não estás!
Escrevo
Soletro
Construo
Destruo...
E tu aí quieto
tão longe e tão perto!
Nada a fazer!
O vento que te move
Sopra do lado de lá,
E eu aqui desperta,
Marioneta em significações mil
Invento.
Esqueceste!
Já não lembras
Sobro porque não estou
E se estivesse era miragem!
Agora eu parto, em pensamento...
Preciso outro rio em que desaguar
Depois te direi
Adeus...
II
Não escrevo...
Definho
Sempre no mesmo sentido!
Se te quero não te quero
Não te querendo!
Assim...
Regresso ao mesmo caudal
lamaçento.
Omnipotente
Presente
Sem imagem,
Começas a ser nuble
Pinsando sempre no mesmo lugar!
Andar!
O caminho
É largo
E o espaço extenso...
III
Não te sinto já!
Nuvem és
Fantasma...
Etéreo
Mas que desces
Quase oculto
Em vulto te transformas.
Já não há palavras
Nem verbo
que te alente...
Assim,
Voltarei
Quando
nao houver
mais vida que viver
Barcelona 30-01-06
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