Tuesday, February 07, 2006

SAUDADE

O espaço sem tempo
Cai na memória diáfana
E é a lembrança de Mariana e Simão que surge,
Invento Moisés
E a meus pés o pó do caminho
Que para trás deixei
Foram rostos, gente, passos
O amado
Na estação vazia,
Veio comigo o silêncio...
Nas entrelinhas deixo-te uma mensagem
Lê-a
Vem buscar-me se quiseres
Que eu espero
No desespero de perder algo
Pensamento confuso...
Digo-te
Até logo,
Que regressarei mais tarde
Para a despedida,
E os diálogos de rua...
Subimos
Pisamos a calçada
Inventamo-nos em estórias
Juntos somos mais
maiores
Personagens
Sujeitos
Objectos
Protagonistas nessa vida,
O vazio, o nosso vazio
Mais amplo
Mais vasto
Espera-me o Além Mar profundo
Para ti escrevo
E contarei a estória
Mais tarde,
Agora quero dormir
que a saudade chega
E o fado
Cantado à guitarra portuguesa,
Acorda-me logo cedo
Latinia e ladainha
E a minha pátria é:
O que deixei
E o por descobrir...

Barcelona 22 de Janeiro de 2006

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