Tuesday, February 28, 2006

As Palavras(Prólogo Inacabado)

(excerto de uma carta de M...)

As Palavras
que
respiro e viro do avesso.
O solfejo breve
da
tua voz,
ouço-te
my angel
Gabriel!
Agora penso-te
enquanto
a voz diz!
Holding back the years,
Vês!
Eu sou eu
e tu
és
quase
quase
meu!
Mas ainda não!
Se o tempo falasse
e a voz abrandasse
eu dirte-ia
que
nunca é tarde!
O mar não te levaria,
não te leva
e tu morres
nos meus braços.
Os abraços
que te dou
no amanhecer da ilha
são eternos.
E agora
para ti
"Goodbye Stranger"


Barcelona 28 de fevereiro de 2006

Friday, February 17, 2006

O Jogo

-Antes de ontem acordei subitamente não te amando
- Joga!
- Dama de copas?
- Talvez!Na possibilidade do real o jogo continua...
- pago para ver!
- tens medo de perder?
- Não, porque não amo
- Finges, ocultas,teatralizas... no entanto, é real porque sentes...
- Rei de Espadas!
- Cortas?A lâmina ferrugenta só trespassa o vazio.Eu jogo Valete de paus!
- Fraca vaza!
- Mas o trunfo é forte!
- bluf, sempre bluf...
- Perdeste!No bluf também se ganha!
- Tenho de partir não é?
- Sim! Na saída deixa as chaves em cima da mesa.
- Há a desforra?
- Perderias de novo! o trunfo é fraco!
- Nem mesmo amando!
- O amor ficou trancado na infância...
- Então adeus! não olhes as minhas lágrimas!
- são apenas cristais de chuva
- Adeus rei de ouros!
- Adeus rainha de Espadas

Lisboa 02-02-05

Cavaleiro Andante

Que silêncio...
Se as palavras calam
a ausência,
deve existir algures
o símbolo dos Proscritos
que nos acorda
para uma nova significação
....................................
Ainda assim
A voz que canta
é já uma outra
cuja identidade
indefinível
se prepetua para além
do silêncio
que me arrasa os ossos....

Escrito em Lisboa em 11/04/05

Thursday, February 09, 2006

CARTAS DE M: O Tocador de Lira

CARTAS DE M: O Tocador de Lira

Tuesday, February 07, 2006

O Tocador de Lira

Ou o outro lado do espelho!

Contamino a escrita
Examino
Congemino
Nada a acrescentar!
Trocam-se os passos,
adversos os sentidos estalam
e a música
soa...
A lira do poeta
definha...
e do lado de lá
nem som...
Breve... o momento
em que
juntos
o sentido se fazia...
Regressa o som
Distante
e
diante de mim
as imagens de...
cruce e
fixo o olhar
no quadro branco.
Como regressar a Simão?
No degredo
Tão cedo
a morte te apartou!
agora
Mariana
Não escreve para ti.
M disse:
Eu sou aquela
que morreu por ti!
Não!
M vive do lado de lá...
a lira volta
o poeta dança,
Andança
e andante lento
Lento
Lento
Vou regressar agora
quando já ninguém espera,
Da janela vejo
o oceano
e do outro lado
Alado Simão
chora
M
ou
Teresa?
As duas faces da mesma moeda...

Barcelona 07/02/06

Cartas de M

É tarde!
A hora passa e a "estória"definha...
Escrevo em linha recta...
Moisés!
Quem és?
Sacudo o pó dos sapatos
olho para trás e:
Simão vive morrendo de amores!
- Já nao sou eu, a que perdi mergulha nas àguas...
Conto-te uma história
O velho,
muito velho,
feiticeiro
Anteviu a morte!
Soam os tambores de outrora,
agora sacio a sede
e ver-te
já não vendo
me dá dor!
Aprendes a escrever e trocas as cartas
As de Teresa!
Agora leio
e engano-me
no desengano de saber quem és,
ainda assim és tu que eu quero
e agora é tarde!
És... não sei
quem és...
Fiz-te minha
sem saber...
Eu sou
Simão que embora vivo morro nos teus passos
Mariana!
teresa?
Nao!Não sei!
Todos mortos!
todos mortos!
Assim parto
e deixo as cartas
na entrada.....

M

(continua)

Barcelona 06-02-06

PORTA OBLÍQUA

Entro
Saio
Esmoreço
eEsqueço,
É hora
Agora de dizer...
O já dito subscrito em diagonal...
Nada me resta...
A aresta que me arranha
Os dedos indefesos
Foi cortada e deixada na entrada,
A mente distrai-se
Penso
Em quem tu és,
Duvido...
Os passos já me cansam
Sorrio e quem sorri é outra,
A porta abre-se e eu nao estou
Para ti,
Obliquamente trespasso a carne
e a madeira apodrecida range nos gonzos
E tu já és tarde
Quando me dizes
Olá...
Barcelona 31-01-05

Trindade

I
"Não te mexas! Morre e ressuscita!"
Eu estarei lá, sempre lá estou
onde tu não estás!
Escrevo
Soletro
Construo
Destruo...
E tu aí quieto
tão longe e tão perto!
Nada a fazer!
O vento que te move
Sopra do lado de lá,
E eu aqui desperta,
Marioneta em significações mil
Invento.
Esqueceste!
Já não lembras
Sobro porque não estou
E se estivesse era miragem!
Agora eu parto, em pensamento...
Preciso outro rio em que desaguar
Depois te direi
Adeus...


II
Não escrevo...
Definho
Sempre no mesmo sentido!
Se te quero não te quero
Não te querendo!
Assim...
Regresso ao mesmo caudal
lamaçento.
Omnipotente
Presente
Sem imagem,
Começas a ser nuble
Pinsando sempre no mesmo lugar!
Andar!
O caminho
É largo
E o espaço extenso...


III
Não te sinto já!
Nuvem és
Fantasma...
Etéreo
Mas que desces
Quase oculto
Em vulto te transformas.
Já não há palavras
Nem verbo
que te alente...
Assim,
Voltarei
Quando
nao houver
mais vida que viver...

Barcelona 30-01-06

ET OMNIA

É tudo...

Este é
O fim
Do diálogo entrecortado por...
As palavras tuas que não chegam
Ou
Eu que não entendo!
Tento chegar
Ao espaço que te cabe
E páro na entrada
Da porta fechada,
Fechas a porta
E não sorris
Sinto-o como
Fim
De nós dois
Que não existem
Nem no espaço nem no tempo,
O vento varre o pensamento
Sujo de poeira saudosista.
Insisto que somos amantes
E desisto no trajecto
Inverto a marcha,
Não quero nada de ti
Mas tudo desejo.
Despejo a fantasia,
Vazia
A alma
Quase ao limite,
Não me penses, vive-me!
Sente-me!
Abandona-me na escadarei da igreja,
Assim seja...
Assim seja...
Volto para ti mais tarde,
Agora
fecho o pensamento
E sem alento
Me levanto,
Sinto tanto...
Tanto...
Não sei quem tu és!
Invento-te
Lamento-te
Mendigo-te
Maldigo-te
Mas no fim
o som da tua voz
Regressa
E eu presa
Não consigo
Levantar a mão
No cais da partida...
Quebra-se o encanto
Sinto-o,
Tu não me és nada
Mas tudo... tudo... tudo...
Tudo o faço é sentir
Que és
O outro lado de mim...


Barcelona , 28/01/06

SAUDADE

O espaço sem tempo
Cai na memória diáfana
E é a lembrança de Mariana e Simão que surge,
Invento Moisés
E a meus pés o pó do caminho
Que para trás deixei
Foram rostos, gente, passos
O amado
Na estação vazia,
Veio comigo o silêncio...
Nas entrelinhas deixo-te uma mensagem
Lê-a
Vem buscar-me se quiseres
Que eu espero
No desespero de perder algo
Pensamento confuso...
Digo-te
Até logo,
Que regressarei mais tarde
Para a despedida,
E os diálogos de rua...
Subimos
Pisamos a calçada
Inventamo-nos em estórias
Juntos somos mais
maiores
Personagens
Sujeitos
Objectos
Protagonistas nessa vida,
O vazio, o nosso vazio
Mais amplo
Mais vasto
Espera-me o Além Mar profundo
Para ti escrevo
E contarei a estória
Mais tarde,
Agora quero dormir
que a saudade chega
E o fado
Cantado à guitarra portuguesa,
Acorda-me logo cedo
Latinia e ladainha
E a minha pátria é:
O que deixei
E o por descobrir...

Barcelona 22 de Janeiro de 2006