Tuesday, May 30, 2006

O CAMPO DAS PAPOILAS SECOU

Lá fora
o vento bate na seara
mansamente
eu
dormida
e
ausente
me quedo olhando
o infinito
num travo de absinto
O campo púrpura de Abril
findou
como findam os meus passos
quando
penso no regresso!
Olho-te mais uma vez....
e lembro
que
ainda que cantes
tuas palavras me secam
sem nada que dizer!
O teu silêncio é pedra
que enfada meu pensar,
E devagar
olho...
e o campo de papoilas já secou!

30de Maio de 2006

Wednesday, May 17, 2006

A AUSÊNCIA OU A METÁFORA DO VAZIO

Estendo o olhar
e
na amplitude
vejo fragmentos de mim...
Tento medir
o sentido das palavras
e me quedo medindo o vazio
em múltiplas extensões....
Desejo...
e
num breve lamento
me entorpeço sem nada que dizer...
Reviro as palavras
que enjeitadas
prolongam o silêncio...

Sou nada...
e se tudo o que tenho para ser
se alimenta do metal frio
Subtraio-me na AUSÊNCIA
e na metáfora do vazio...

17 de Maio de 2006

Sunday, May 07, 2006

IN ÚTERO

Sejamos putas!As mais puras e as mais belas;
e quando anoitecer pensemos que o corpo é vazio,
a alma pedra que o verbo destila
e o desejo teatro frio!
palavras da Musa na estrada da vida
7 DE mAIO DE 2006

Thursday, May 04, 2006

A Carêcia... Ou a Morte da Musa

A Crência
De quem espera
o nada
vir
Assim... já nao és
Já não sou
e a fome que me mata
farta a dor;
Nem a velhice dos anos
nos junta
ou alimenta de enganos...
Já partiste há quanto tempo!
E eu no invisível
me passeio...
Dormito nos teus braços
sem nada te dizer,
Abomino o pretérito!
O presente não me afaga e...
e desejo... desejo...
Que no sonho o degredo seja uno...
- M !Quem és tu?
- Eu sou a marca de todos os desertos,
sou os pés que pisam trilhos incertos,
sou o teu alimento,
sou o alento do vazio que te cerca,
sou não sendo
mas sabendo
que...
um dia voltarás
para
dizer
que a Musa morreu...

Barcelona 4 de Maio de 2006